Artesanato movimenta R$ 100 bi por ano no Brasil e gera bons negócios
Crochê, gesso, pintura e kokedama ganham espaço no segmento de Casa e Decoração. Na foto, a artesã Jussara Greco, da Mimos da Juju, que interrompeu a aposentadoria e transformou o hobby em uma fonte de renda

Peças feitas de cerâmica, crochê e madeira são uma boa oportunidade para empreendedores aumentarem sua renda. O artesanato movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano, representando aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além de estar presente em roupas e acessórios, o artesanato tem se tornado tendência no setor de casa e decoração, permitindo que muitos artesãos expandam seu portfólio, como foi visto durante a Abcasa Fair 2026.
Esse é o caso da artesã Jussara Greco, responsável pela Mimos da Juju, que desenvolve cestas para pães e vasos de diferentes formas e tamanhos, tudo em crochê, mas que remetem ao barro e às conchas do mar. Para desenvolver as peças, ela faz a base com MDF, modela no formato desejado com a linha e, depois, endurece com resina.
O crochê está presente na vida de Jussara desde os nove anos de idade, quando produzia tapetes e cortinas como hobby. Aposentada, decidiu voltar a produzir peças como bolsas e itens de decoração para casas e quartos infantis há cinco anos, desta vez como negócio.
“Quando eu comecei a fazer artesanato, era com madeira, reutilizando materiais, como latas e vidros, como forma de presente para parentes. Depois, comecei a vender. Fui aderindo ao movimento de forma gradual e vi a necessidade de dar uma cara mais empreendedora às peças, pesquisar coleções, cores em tendência e analisar o que está em alta no mercado”, explica Jussara.
Para desenvolver as peças, ela se inspirou em vasos antigos usados no Nordeste. Por isso, muitas criações remetem ao barro tradicional. Além disso, algumas peças são inspiradas em modelos do exterior. Cada item leva de cinco a seis horas para ser produzido, dependendo do tamanho.
Jussara diz que as peças em crochê que simulam cerâmica, inclusive no tamanho, impressionam algumas pessoas, embora ainda existam consumidores que consideram o trabalho artesanal caro.
Para precificar seus produtos, a artesã considera o material utilizado, a hora de trabalho e a margem de lucro. “Às vezes eu coloco uma margem maior, porque sempre tem cliente que pede desconto”, afirma, destacando que os artesãos precisam saber valorizar suas peças, evitando grandes descontos que desvalorizam o trabalho de toda a categoria.
Jussara explica que o segmento de Casa e Decoração é o que apresenta o maior valor agregado, quando comparado a outros segmentos, como bolsas e acessórios. Além disso, a empreendedora registra maior volume de vendas em datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal.
Esculturas religiosas unem fé, design e sustentabilidade
Com o objetivo de unir seu amor pela religião à modernidade, Alessandra Dias, dona da marca Dias de Maria, utilizou seus conhecimentos em design para produzir esculturas em gesso com imagens de santos da Igreja Católica, como Nossa Senhora Aparecida.
“Escolhemos o gesso por ser um material que gera trabalho para o Brasil. Acreditamos que o país precisa oferecer futuro para as pessoas. Além disso, é um produto biodegradável e sustentável”, diz Alessandra.
A empreendedora cria as imagens e trabalha com uma equipe que auxilia na produção em maior escala. “Quando fazemos uma peça artesanal, ela traz outros sentimentos para o consumidor, por ser exclusiva e representar um consumo mais consciente”, afirma.
Há 11 anos no mercado, Alessandra atua não apenas com peças voltadas à religião católica, mas também a outras religiões.
Kokedama: técnica japonesa conquista espaço na decoração
O artesão Luis Antonio aposta na kokedama, técnica japonesa de jardinagem que cultiva plantas em musgo, criando uma forma diferente de decorar ambientes. Segundo ele, um dos principais diferenciais desse cultivo é que as plantas devem ser colocadas, uma vez por semana, em uma bacia com água, por cerca de cinco minutos, para se manterem hidratadas. Com a técnica, a raiz respira com mais facilidade e recebe maior cuidado.
O artesão explica que conheceu a técnica por meio de vídeos na internet e, após se encantar, decidiu colocá-la em prática. Apesar de ter começado utilizando musgo, atualmente ele usa fibras de coco por serem mais sustentáveis.
“Quando eu era mais jovem, não olhava muito para as plantas. Com o tempo, comecei a cultivá-las e já faz cerca de 30 anos que cultivo”, diz.
Sem loja física, Luis Antonio participa de feiras e eventos por meio do projeto Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo, com o objetivo de ampliar as vendas.
“Em meio ao ferro e à madeira das construções, a kokedama é uma forma de inserir algo natural, trazendo vida ao ambiente de maneira simples”, afirma.
Por ser uma forma de decoração mais acessível e orgânica, sem a necessidade de investir em vasos, o artesão observa boa procura pelo produto.
Artesanato para mesa posta
A artesã Fabíola Nascimento, responsável pela Fabi DecouArte, produz peças para mesa posta, como pratos, copos, boleiras e jogos americanos, pintados à mão ou feitos com técnica de decoupage.
Ela explica que as artes são aplicadas de forma que não entrem em contato com os alimentos. As restrições são evitar a lavagem em lava-louças, para não desgastar a peça, e o uso em micro-ondas, devido aos componentes metálicos da tinta.
Apesar do crescimento do artesanato no setor de decoração, Fabíola acredita que ainda falta espaço para o segmento disputar mercado com produtos industrializados, já que muitas lojas não oferecem evidência adequada para esses itens.
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