Copa do Mundo 2026 deve movimentar US$ 60 bilhões em apostas no mundo
Projeções de H2 Gambling Capital e Macquarie apontam crescimento de 71% em relação a 2022. No Brasil, a Copa é a primeira sob regime regulatório consolidado e pode ampliar arrecadação que já bateu R$ 9,95 bilhões em 2025

O maior torneio de futebol do planeta, realizado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, chegou ao mercado global de apostas como um evento sem precedente histórico. A empresa de pesquisa H2 Gambling Capital estima que as apostas reguladas em todo o mundo durante a Copa do Mundo de 2026 alcancem US$ 60 bilhões, crescimento de 71% em relação aos US$ 35 bilhões registrados na edição de 2022, no Catar. O salto é explicado pela combinação do aumento do número de partidas, de 64 para 104, com a expansão dos mercados regulados, especialmente nos Estados Unidos.
A firma de análise Macquarie calcula que cerca de 65% da população americana agora tem acesso a plataformas legais de apostas esportivas, ante 40% durante a Copa anterior. Só nos Estados Unidos, as apostas no Mundial devem atingir entre US$ 2,9 bilhões e US$ 4,3 bilhões, contra cerca de US$ 400 milhões em 2022. O analista Chad Beynon projeta que o torneio pode superar US$ 50 bilhões em apostas globais, a depender do desempenho das seleções favoritas.
Além do volume de apostas, especialistas apontam mudanças no comportamento dos apostadores. Darren Small, diretor de Serviços de Negociação Gerenciados da Sportradar, empresa de tecnologia esportiva presente em 250 casas de apostas ao redor do mundo, afirmou à AFP que os apostadores de hoje apostam cada vez mais no desempenho individual dos jogadores, não apenas no resultado das partidas. A expansão dos mercados de apostas em jogadores e de apostas combinadas em tempo real é um dos fatores que ampliaram o volume médio por partida, estimado em US$ 500 milhões na Copa do Catar.
Impacto no Brasil
No Brasil, a Copa de 2026 é a primeira disputada sob um regime regulatório consolidado para as apostas esportivas. O país formalizou o setor em janeiro de 2025, e os resultados tributários já são expressivos. A Receita Federal registrou arrecadação de R$ 9,95 bilhões com impostos sobre casas de apostas ao longo de 2025, sendo que a receita com apostas virtuais saltou mais de 10.000% em relação a 2024, quando o setor ainda operava em transição regulatória. O desempenho contribuiu para que a arrecadação federal total de 2025 atingisse o recorde de R$ 2,89 trilhões.
Somente no primeiro trimestre de 2026, a arrecadação com o setor de apostas chegou a R$ 3,40 bilhões, alta de 123,7% sobre o mesmo período do ano anterior. No primeiro quadrimestre, o total subiu para R$ 4,5 bilhões, mais que o dobro dos R$ 2,2 bilhões recolhidos no intervalo equivalente de 2025. As casas de apostas licenciadas registraram faturamento estimado em R$ 12,2 bilhões apenas nos quatro primeiros meses do ano.
A tributação do setor subiu de 12% para 13% neste ano, com previsão de alcançar 15% em 2028. O governo federal estima arrecadar R$ 4,4 bilhões adicionais em 2026 com o conjunto de medidas que incluem a elevação da alíquota sobre as apostas, segundo o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas apresentado ao Congresso Nacional.
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Transmissões e publicidade
A Copa do Mundo de 2026 também marcou uma ruptura no mercado publicitário brasileiro. Pela primeira vez em mais de quatro décadas, o Grupo Globo não deteve a exclusividade nas transmissões do torneio.
A CazéTV, plataforma de streaming operada pela LiveMode, garantiu os direitos de exibição de todas as 104 partidas e levantou aproximadamente R$ 2 bilhões em cotas de patrocínio antes mesmo do início da competição, com cotas principais avaliadas em R$ 185 milhões cada, recorde para transmissões digitais no Brasil. O pacote comercial reuniu 11 marcas de diferentes setores, entre Ambev, Coca-Cola, Itaú, iFood, General Motors, Mercado Livre e Vivo.
O investimento publicitário digital no Brasil atingiu R$ 42,7 bilhões em 2025, expansão de 12,7% em relação ao ano anterior, segundo estudo do IAB Brasil e da Kantar IBOPE Media. A Copa acelerou parte dessa migração para plataformas conectadas, com anunciantes adaptando campanhas para audiências multitelas.
Para o mercado de apostas, o ambiente publicitário durante a Copa é estratégico. Segundo dados de uma casa de aposta autorizada pelo governo federal, o futebol responde por mais de 90% das apostas realizadas em sua plataforma, o que ajuda a explicar o interesse do setor no evento. O analista da Macquarie ressaltou que o desafio para os operadores, após o torneio, será manter o engajamento dos apostadores que chegaram ao mercado durante o Mundial.
Perspectivas para o setor
As projeções para o segundo semestre de 2026 indicam continuidade do crescimento. O setor de apostas esportivas movimenta globalmente US$ 91,97 bilhões em 2025, com estimativa de expansão para mais de US$ 205 bilhões até 2032, segundo o relatório Sports Betting Market - Global Forecast 2026-2032. O futebol representa 56% do volume global de apostas esportivas reguladas, parcela que caiu em relação aos 69% registrados em 2018, conforme a H2 Gambling Capital, com a diversificação dos mercados para outros esportes.
O setor de entretenimento em torno da Copa também projeta números expressivos no Brasil. Bares e restaurantes devem faturar R$ 2,42 bilhões durante o torneio, 15,7% acima da edição de 2022, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A combinação de horário favorável dos jogos do Brasil, mercado de trabalho aquecido e recuperação da renda contribui para o desempenho projetado do setor.
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