Fraco crescimento da renda prejudica retomada do comércio

Economistas da Associação Comercial de São Paulo esperam um avanço mais robusto do setor este ano. Em 2019, a alta foi de apenas 1,8%, inferior ao desempenho dos dois anos anteriores

Instituto Gastão Vidigal
13/Fev/2020
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Em dezembro, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) cresceram 2,6%, frente ao mesmo mês de 2018 (ver tabela abaixo), enquanto no ampliado (que inclui todos os segmentos) a alta foi de 4,1%.

Ao longo de 2019, ambos tipos de varejo apresentaram expansão do volume comercializado (1,8% e 3,9%, respectivamente), porém, inferior à observada nos dois anos anteriores, em linha com as projeções do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que apontava para uma elevação de 1,9% nas vendas do varejo restrito.

Essa desaceleração se explica pelo fraco crescimento da renda das famílias, em um contexto de elevado desemprego e avanço da informalidade, tornando os efeitos positivos da redução dos juros e da liberação do FGTS-PIS/PASEP insuficientes para retirar os consumidores de sua atitude de cautela.

Nesse sentido, foi o segmento de hipermercados e supermercados, um dos segmentos mais importantes do conjunto considerado pelo IBGE, o principal responsável pela perda de fôlego das vendas, especialmente no fim do ano, devido à grande elevação do preço da carne.

Em síntese, as vendas do varejo apresentaram desaceleração em relação aos dois últimos anos, não permitindo compensar as perdas sofridas nos anos de recessão.

A perspectiva para 2020 é de continuidade de alta, mas uma recuperação mais robusta ainda é um desafio, dependendo basicamente do comportamento dos juros e do crédito, do andamento das reformas e do tempo de duração e extensão do surto do coronavírus.

 

IMAGEM: Thinkstock

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