Morana escolhe Argentina para estrear operação internacional
Primeira loja fora do Brasil será inaugurada em agosto, em Buenos Aires. Empresa pretende expandir pela América Latina e projeta 250 unidades da marca na região em 10 anos, segundo o fundador Jae Ho Lee (na foto)

Apesar da instabilidade econômica enfrentada pela Argentina, marcada por anos de inflação elevada e mudanças frequentes nas políticas econômicas, o país foi escolhido pela Morana, considerada líder mundial em bijuterias, para sediar sua primeira loja fora do Brasil, dando início ao processo de internacionalização da marca. A unidade será inaugurada na segunda semana de agosto na Avenida Santa Fé, 1962, em Buenos Aires.
A inauguração ocorre um ano após a marca formalizar uma joint venture com o grupo Blue Star (BSG), dono de marcas como Todomoda e Isadora. O primeiro destino foi escolhido justamente por ser o local onde o grupo parceiro nasceu e possui mais de 300 unidades no país, tendo conhecimento prévio sobre as estratégias para crescer na região.
"Por termos um sócio local, conseguimos nos preparar para as adversidades com mais facilidade, nos auxiliando na escolha de onde colocar nossas lojas e de como nos introduzir", explica Jae Ho Lee, fundador da Morana, que conversou com o Diário do Comércio no primeiro dia da 33ª ABF Franchising Expo, realizada na última semana, de 24 a 27 de junho, na Capital paulista. A primeira loja, que já passou até pelo treinamento dos funcionários segundo Lee, será um projeto-piloto para depois acelerar a expansão.
O processo de discussão da internacionalização durou um ano para definir os principais pontos da operação que precisariam ser adaptados de acordo com a cultura dos argentinos - como o banho das peças, o atendimento e o layout da loja, por exemplo, com maior implementação de madeira por ser algo mais atrativo. Além disso, a Morana já busca um novo ponto para abrir a segunda loja na Argentina ainda este ano.
De acordo com Lee, eles estão avaliando o momento de cada país, mas têm como principais destinos de expansão o México devido à existência de um parceiro local do grupo BSG, e a Guatemala, devido às características do país. "Estamos olhando país, oportunidade, situação macroeconômica e parceiro local", explica.
A expectativa do fundador da Morana é que, em 10 anos, as três marcas da joint venture (Morana, Isadora e Todomoda) atinjam 800 unidades nos dois mercados, Brasil e América Latina, sendo 250 apenas da Morana em um plano conservador.
Enquanto no Brasil as lojas da Morana estão majoritariamente em shoppings devido à alta discrepância de vendas com lojas de rua, na Argentina a empresa optou por abrir uma loja de rua por não haver, de forma tão presente, essa diferença entre os pontos. Futuramente, pretendem expandir para os shoppings. "Eles possuem esse traço europeu, onde compram muito em lojas de rua", diz Lee.
A joint venture também foi importante para a escolha do portfólio no novo mercado, que se baseou nos clientes da marca Isadora. "Para precificar os produtos, gostamos muito de nos basear nos preços do McDonald's, que é cerca de 30% mais barato aqui no Brasil. É algo com que eu brinco, mas que você consegue tangibilizar", completa.
Outro fator importante para a internacionalização é a fábrica no Paraguai, devido à verticalização da operação da marca que facilita a logística para outros países da América Latina. "Com nossa operação crescendo na região, parte dela sairá para o Brasil e o resto do mundo", diz Lee. A fábrica tem capacidade produtiva de 7 milhões de peças por ano.
No Brasil, a expansão tem ocorrido de forma consistente. Segundo o fundador, em 2025 a empresa abriu 40 unidades e deve abrir outras 45 neste ano. A expectativa é de que a Morana termine o ano com faturamento de R$ 480 milhões, representando um crescimento de 3% em comparação com o ano passado.
Fim da escala 6x1
Para Lee, o fim da escala 6x1 é mais um desafio para os empresários brasileiros que já enfrentam a falta de mão de obra, a alta taxa de juros e a imprevisibilidade política. "O problema é a mudança de regra no meio do jogo. Estamos em época de Copa, você está jogando e se preparou para um jogo de 90 minutos, e o juiz dá mais 20 minutos, mudou a regra. É isso que um empresário não pode ter. Vem uma regra dura, tudo bem, podemos nos adaptar", se conforma.
Na visão do empresário, a mudança acarretará um aumento de cerca de 15% a 20% no custo da mão de obra, sendo necessário buscar outras margens para sustentar esse custo. "Tentamos dar um bom atendimento com o menor número de funcionários possível, mas o número de funcionários pode ser reduzido até certo ponto porque a experiência do varejo passa pela hospitalidade. Não podemos tratar a Morana como se fosse um supermercado, com autoatendimento. Nosso modelo precisa dessa assistência", finaliza.
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IMAGENS: Divulgação

