Nos corredores de Brasília | Motta abraça MEI enquanto bombas (frete, 6x1, dívida rural) explodem no Congresso
A correção do teto para enquadramento como microempreendedor individual virou agenda positiva, mas proposta que o governo vai apresentar não deve agradar setor produtivo

Motta no balcão
Com a agenda oficial restrita a uma sessão não deliberativa solene na quarta-feira (24), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta mover a pauta por fora do Plenário. Depois de reunião com os ministros José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, e Bruno Moretti, do Planejamento, Motta anunciou que o governo deve enviar à Câmara uma proposta para ampliar o limite de faturamento do MEI. O texto será encaminhado à comissão especial que já discute mudanças no regime.
MEI na vitrine
A pauta do MEI virou uma tentativa de produzir agenda positiva em meio a frete, 6x1, vetos e endividamento rural. Hoje, o teto anual do MEI é de R$ 81 mil; a proposta em discussão fala em elevar o limite para cerca de R$ 130 mil e permitir a contratação de mais um empregado. Para o setor produtivo, o tema tem apelo real: corrige uma defasagem antiga, pode estimular formalização e emprego. A disputa está no alcance. A Fazenda aceita discutir MEI, mas resiste a uma revisão mais ampla do Simples Nacional pelo impacto fiscal.
Gastos de comunicação
O senador Rogério Marinho (PL-RN) acionou o TCU para investigar gastos da Secretaria de Comunicação da Presidência da República e reforça a tese de que a campanha oficial sobre a 6x1 virou vulnerabilidade política para o governo. Na linha do tempo, após liminar contra anúncios pagos, a oposição tenta transformar a comunicação do Planalto em caso de controle externo.
A queda do líder
Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira a liderança do governo no Senado, após reunião com o presidente Lula. A saída encerra a resistência inicial do senador, que havia sido atingido pela 9ª fase da Operação Compliance Zero, relacionada ao Banco Master. Wagner nega irregularidades, mas a permanência no cargo virou custo político para o Planalto. A decisão foi apresentada como comum acordo, mas, na prática, reduz a exposição direta de Lula a uma crise que entrou no núcleo da articulação política do governo.
Sucessão aberta
A sucessão na liderança do governo no Senado ainda não foi oficializada. Teresa Leitão (PT-PE) segue entre os nomes mais citados para o posto. A senadora, que já lidera a bancada do PT no Senado, é vista como fiel ao Planalto, tem trajetória sindical em Pernambuco e participou da transição do governo Lula. O desafio é duplo: recompor a interlocução com Davi Alcolumbre (União-AP) e evitar que a troca seja lida como enfraquecimento do governo em plena temporada de pautas explosivas.
Chile consolida guinada
A eleição chilena reforça a virada à direita na América do Sul. Segundo o Serviço Eleitoral do Chile, José Antonio Kast venceu a segunda volta presidencial de 2025 contra Jeannette Jara. Em boletim oficial divulgado ainda na noite da votação, com 57% das mesas apuradas, Kast aparecia com 59,16% dos votos, contra 40,84% de Jara. O resultado marcou o fim do ciclo de Gabriel Boric e retirou da esquerda mais uma vitrine importante na região.
Esforço meio concentrado
A semana que vem previa esforço concentrado no Senado, com senadores chamados a Brasília para votações presenciais e articulações de alto impacto. O ânimo está nas eleições e o termômetro marca esvaziamento no radar. A PEC que acaba com a escala 6x1, já aprovada pela Câmara dos Deputados, aguarda definição de rito no Senado e pode ganhar temperatura na CCJ, presidida por Otto Alencar (PSD-BA).
Conta escondida
O governo endureceu as regras do frete com a MP 1.343/2026, que amplia a fiscalização do piso mínimo, eleva multas e reforça o uso de instrumentos como o CIOT. Mas, para o setor produtivo, a pergunta segue sem resposta: como reduzir custo logístico se o debate ignora gargalos de fronteira, tempo de espera, infraestrutura e burocracia?
Tabela fake
A tabela pode até proteger o caminhoneiro no discurso, mas, se o caminhão fica parado e a operação encarece, a conta volta para a cadeia produtiva e chega ao consumidor em forma de alimento, insumo e mercadoria mais caros.
IMAGEM: reprodução/redes sociais

