Nos corredores de Brasília | Chapa pura no PSD; chapa esquenta no clã Bolsonaro; xepa do governo para o Simples

Gilberto Kassab será vice de Ronaldo Caiado na disputa presidencial, uma alternativa de centro-direita à polarização Lula-Flávio

Redação DC - Brasília
02/Jul/2026
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Nos corredores de Brasília | Chapa pura no PSD; chapa esquenta no clã Bolsonaro; xepa do governo para o Simples

Chapa Caiado-Kassab

O lançamento da chapa do ex-governador goiano Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD) ao Planalto, na quarta-feira (1º), foi desenhado para emitir um sinal claro ao PIB brasileiro: a consolidação de uma alternativa de centro-direita pragmática e previsível, com forte apelo ao agronegócio e ao setor de serviços. Para o empresariado, base histórica de interlocução de Kassab, o movimento altera o cálculo de risco político e abre novas janelas de oportunidade.

Teto do simples

Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), subiu o tom contra o congelamento das tabelas tributárias, classificando a defasagem atual como uma "injustiça” que penaliza quem gera empregos e empurra negócios de volta para a informalidade. A afirmação foi feita aos parlamentares durante sessão solene realizada nesta quarta-feira (1º) na Câmara dos Deputados.

Congelamento nas urnas

Durante a sessão, parlamentares do centro e da oposição aproveitaram o palanque para pressionar o governo sobre a votação PLP 108/2021 sobre a atualização do Simples Nacional. O recado das entidades comerciais foi claro: o congelamento de oito anos das tabelas do regime simplificado virou uma linha vermelha inegociável. Quem votar contra o empreendedorismo, alertam, poderá pagar o preço nas urnas em outubro.

Cota milionária

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro abriu mão de controlar R$ 264 milhões do fundo destinado à cota feminina do partido nas eleições de 2026 ao deixar o PL Mulher. Analistas políticos avaliam que a briga pública expõe o racha no bolsonarismo. O episódio atinge diretamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro e pode ampliar a rejeição do clã entre o eleitorado feminino.

Isolamento e conflito

Aliados avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro está dividido, já que Michelle e Flávio mantêm acesso direto a ele em meio à guerra de narrativas. No PL, o clima é de paralisia. O partido tenta conter os danos da crise familiar e, ao mesmo tempo, evitar que o plano de ampliar sua base no Congresso seja contaminado pelo desgaste.

Alerta vermelho

Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre, alertou que o impacto do fim da escala 6x1 nos municípios brasileiros é estimado em R$ 35 bilhões. Aos parlamentares, o presidente da Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas apresentou os dados levantados para frear o debate sobre a PEC sem o devido repasse de verbas federais.

Governo tem que pagar

O principal gargalo técnico está nos contratos de terceirização que sustentam serviços essenciais, como limpeza urbana, saúde e educação nos municípios. Uma mudança de escala sem regra de transição exigiria reequilíbrio financeiro imediato desses contratos, custo que as prefeituras afirmam não ter condições de absorver. A União, por sua vez, incluiu no texto aprovado na Câmara um dispositivo para corrigir contratos terceirizados, o que, na prática, representa mais um impacto sobre os gastos públicos.

Reeleição cara

As contas públicas do Brasil registraram um déficit primário consolidado de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. O déficit fiscal, impulsionado pelo salto nas despesas federais, elevou a dívida bruta do país para 81,1% do PIB, atingindo o patamar mais alto em cinco anos.

Maquiagem fiscal

O pacote de estímulos, subsídios e linhas de financiamento anunciado pelo governo já soma entre R$ 215 bilhões e R$ 227 bilhões. A maior parte desse montante, porém, fica fora do alcance das regras fiscais: mais de 90% dos gastos, cerca de R$ 176,7 bilhões, não entram nos limites do arcabouço fiscal, enquanto R$ 118,7 bilhões foram excluídos do cálculo do resultado primário.

Rombo recorde

O desenho ajuda a explicar a desconfiança do mercado. Mesmo com medidas de contenção e aumento de arrecadação, analistas projetam um rombo definitivo de R$ 59 bilhões para o fechamento do ano. No Congresso, a leitura é que a estratégia amplia a pressão sobre juros, dívida pública e credibilidade fiscal, ao mesmo tempo em que empurra para fora da meta parte relevante do custo das políticas anunciadas.

Entre a cruz e a espada

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou na quarta-feira (1º) que fará uma reunião, na próxima terça-feira (7), com a bancada ruralista e o Ministério da Fazenda para buscar uma solução para o endividamento rural. Na balança, além da relação com uma das bancadas mais poderosas do Congresso, pesa também o cálculo político de Motta: a eleição de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado, e a própria construção de apoio para uma eventual reeleição à presidência da Câmara em 2027. Sem o apoio da FPA, esse caminho pode ficar mais estreito.

 

IMAGEM: Dani Ortiz/Somniare

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