Com expansão em SP, Frimesa traça rota para atingir R$ 15 bilhões em receitas
Empresa aposta em pequeno varejo, aumento da produção e categorias premium para expandir participação no mercado

Com participação de 8,5% no mercado de carne suína e dividindo espaço com gigantes como JBS, Aurora e MBRF, a Frimesa pretende dobrar seu faturamento até 2032, atingindo R$ 15 bilhões, e ampliar sua fatia para 14% do mercado. Para alcançar esse resultado, uma das estratégias adotadas pela empresa é a ampliação da capacidade produtiva e a expansão no estado de São Paulo.
Um dos primeiros passos para essa expansão foi a inauguração do primeiro escritório comercial da empresa no estado, que irá funcionar como um hub de inteligência de dados e por ser a cidade com o maior número de consumidores. Com isso, a empresa pretende aumentar sua participação de vendas no estado de 2,5% para 4,5% até 2030.
A expansão no estado de São Paulo tem como uma das ferramentas o crescimento no canal de autosserviço, especialmente por meio do pequeno e médio varejo, como estratégia de curto e médio prazo. “A tendência das famílias é comprar no que chamamos hoje de mercado de vizinhança, em que elas perdem menos tempo nas compras. Então, essas pequenas e médias redes estão crescendo bastante, e elas precisam de um atendimento contínuo e semanal. Esse é o segmento que mais estamos olhando”, disse Elias Zydek, presidente executivo da Frimesa, em conversa com o Diário do Comércio na APAS Show, a feira do setor supermercadista realizada entre 18 e 21 de maio na Capital paulista.
Para alcançar esse pequeno negócio, Zydek destaca que o atendimento constante e em períodos mais curtos é fundamental para conquistar esses clientes, uma vez que essas empresas necessitam de abastecimento frequente - por exemplo, uma vez na semana.
A expansão para o estado de São Paulo está muito motivada pelo tamanho do mercado. Segundo Zydek, a Grande São Paulo é o maior mercado consumidor de alimentos do Brasil, assim como o interior paulista, o segundo maior, sendo estratégico para o crescimento da empresa estar presente no estado. “Até pouco tempo nossa escala de produção não era suficiente para entrar com toda força no estado, mas agora isso é possível, e queremos dobrar nosso market share no nosso segmento”, diz Zydek.
Além disso, a empresa migrou toda a área comercial e de marketing para o novo escritório na capital paulista, justamente como uma forma de estar mais próxima dos clientes e captar novos negócios. “Não tem como querer ter escala no setor de alimentos sem estar em São Paulo. Também é uma cidade com maior facilidade de encontrar profissionais especializados na área comercial e de marketing”, explica Zydek.
Outra estratégia para aumentar a participação da marca no mercado é a expansão em categorias de maior valor agregado, tanto na categoria de suínos quanto na de lácteos, como uma tentativa de atender ao novo consumidor, que busca produtos funcionais, convenientes e saudáveis.
Por exemplo, na linha de produtos lácteos, a marca traz produtos denominados “5 zeros”, como zero adição de açúcar, zero lactose e zero gorduras. Já na linha de suínos, a marca aposta em produtos com diferentes cortes e mais temperados.
Outro passo é o aumento da produção, principalmente por meio do seu megafrigorífico em Assis Chateaubriand (PR), considerado o maior da América Latina. A expectativa da empresa é terminar 2026 com 14 mil suínos industrializados por dia, e ter um crescimento gradativo a partir de 2027, até alcançar 23 mil cabeças/dia em 2032. Além disso, a empresa também espera crescer na área de lácteos, saindo de 800 mil litros/dia para 1,2 milhão de litros por dia.
“Nossa estratégia é aumentar nossa participação de mercado, sustentada pelo aumento da nossa escala de produção”, explica Zydek. A empresa também tem utilizado inteligência artificial para analisar as informações obtidas nos pontos de venda, acelerando a tomada de decisões e identificando o comportamento dos consumidores. Já na fábrica, a ferramenta é usada para analisar as carcaças de suínos e direcionar os cortes para os produtos mais rentáveis.
No curto e médio prazo, o objetivo da empresa é crescer no mercado interno. No entanto, Zydek não descarta novas aquisições de concorrentes ou outros frigoríficos no longo prazo. “Havendo forte evolução do mercado externo, existe a possibilidade de discutir um crescimento por meio de aquisições”, diz.
Atualmente, 26% da produção da Frimesa vai para o mercado externo, e 74% para o mercado interno. Segundo Zydek, o mercado externo tem um crescimento gradativo mais lento. Por isso, a ideia da empresa é manter a maior concentração do faturamento no mercado interno.
“O mercado externo depende de fatores como o câmbio, que tem prejudicado o processo de exportação, pois não viabiliza o custo Brasil devido à alta carga tributária e à falta de mão de obra”, diz.
Câmbio é o maior desafio
Segundo Zydek, o câmbio é um dos maiores desafios para o crescimento do setor no Brasil atualmente. A valorização do real, comparado com o dólar, reduz as exportações e aumenta a oferta de produtos no mercado interno, isso reduz os preços e prejudica a cadeia produtiva.
Além disso, Zydek menciona o alto custo da energia (em torno de 25%) e a redução da jornada de trabalho, que pode impactar em cerca de 15% o custo da mão de obra. Soma-se a isso a nova reforma tributária, que pode causar um aumento de 2,5% da carga tributária. “A preocupação é como a cadeia produtiva vai absorver esses custos extras no campo. Precisamos trabalhar produtividade, qualidade sanitária e redução de custos de produção para absorver esses impactos”.
Ainda segundo Zydek, o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ter pouco impacto no setor de carne suína, uma vez que a Europa é autossuficiente na produção, não havendo grande espaço para o consumo da carne brasileira. Além disso, ele menciona que a União Europeia estabeleceu muitas ressalvas no acordo visando a proteção sanitária - o que pode impedir que a carne brasileira entre no mercado europeu.
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IMAGEM: Frimesa/Divulgação

