Repórter
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Ou seja, se é possível trazer um produto de fora do Brasil sem pagar imposto, seria justo que um produto brasileiro consumido e produzido aqui também não pague, disse. "Não é não querer tributar; é preciso diminuir a tributação, dar acesso à população para poder comprar mais barato, para comprar agora. Por que que a população pode comprar uma blusa vinda da China de R$ 250 sem pagar imposto, e não pode entrar numa loja do varejo brasileiro e comprar blusa de R$ 200 sem ter que pagar imposto também? É esse o ponto que se discute", afirma.
Setores se mobilizam
Em seu manifesto de repúdio, a CACB que destaca que “a menos de cinco meses do primeiro turno eleitoral, preferiu-se priorizar as eleições ao empreendedor brasileiro”, convoca o Congresso Nacional a rejeitar a medida provisória assinada pelo presidente, e alega que a ação não trará proteção social para a população, uma vez que a taxação preservou 135 mil empregos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a medida anunciada pelo Governo Federal de extinguir a tributação para compras internacionais de até US$ 50 é “equivocada e penaliza de modo direto quem investe, produz e emprega no Brasil”.
Em nota enviada ao Diário do Comércio, a Abit afirma que "a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais, prejudicando a indústria e o varejo nacionais."
Ainda de acordo com a associação, cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50, faixa que volta a receber tratamento favorecido por parte do Governo Federal, além de comprometer investimentos na indústria nacional e a ampliação da competitividade.
“É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos e exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional. Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro," diz a nota.
Já para o Sinditêxtil-SP, responsável por aproximadamente 6,5 mil empresas e mais de 370 mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva, a isenção concedida às plataformas internacionais de e-commerce desestabiliza esse ecossistema, criando uma concorrência desleal e predatória que ameaça a sobrevivência de milhares de confecções e fiações paulistas.
Ainda segundo o sindicato, milhares de empregos e o desenvolvimento econômico sustentável estão ameaçados por conta de uma medida que beneficia empresas estrangeiras, que não geram empregos nem investimentos no Brasil.
“O Sinditêxtil-SP, em conjunto com a Abit, Confederação Nacional da Indústria, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e a Coalizão Prospera Brasil, reafirma que a isonomia tributária não é um privilégio, mas uma condição básica para a justiça concorrencial. Não pedimos proteção, mas sim o direito de competir com as mesmas armas”, diz a nota enviada pelo Sinditêxtil-SP.
O Sindilojas-SP também afirmou, em nota, que "enxerga com preocupação o movimento do governo federal, que contribuí para reduzir distorções competitivas históricas, desencadeando efeitos positivos na economia, como a retomada do crescimento em segmentos relevantes do varejo, o aumento da geração de empregos e a ampliação de investimentos produtivos, além do fortalecimento da indústria nacional e de maior previsibilidade para o ambiente de negócios."
Para Alfredo Cotait, da CACB, que citou ainda as movimentações que, além da taxa das blusinhas, têm afetado o ambiente de negócios, como o fim da jornada 6x1, as discussões sobre o aumento no teto do MEI e uma reforma tributária que era para simplificar ‘mas só complica”, o trabalho agora é, em conjunto com as demais entidades, de convencer os parlamentares a rejeitar essa MP ainda durante o prazo pré-eleitoral.
“O governo gosta de complicar, de atrapalhar a vida do empreendedor. E só nós pagamos a conta. Vamos conversar com nossos parceiros deputados para que possam realmente entender que não dá para continuar dessa forma. Estamos começando os trabalhos”, sinaliza.
IMAGEM: Rafael Neddermeyer/Agência Brasil *Atualizado às 17h15
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Apesar do crescimento, o setor tem lidado com a desaceleração do consumo das famílias, afetadas por juros, endividamento e inflação, o que tem priorizado gastos com cartão de crédito e jogos de aposta, em vez de despesas ligadas ao abastecimento do lar.
O alto investimento em casas de apostas por parte dos consumidores brasileiros é uma das maiores preocupações do setor. Segundo a pesquisa, os jogos de azar representam R$ 360 bilhões da renda no Brasil. O aumento dos gastos com canetas emagrecedoras também vem ganhando destaque, aumentando a disputa pelo bolso do consumidor e já abocanhando R$ 20 bilhões da renda.
De acordo com Domenico Tremarolli, diretor de atendimento ao varejo na NielsenIQ, cerca de 26% dos lares declaram participar regularmente de jogos de aposta, o dobro do registrado há um ano. Além disso, 49% dos apostadores são motivados pela ideia de aumento da renda. “Já é possível observar que um em cada dez apostadores reduz gastos em casa, principalmente com alimentação, para manter as apostas em jogos de azar”, diz Tremarolli.
Em relação às canetas emagrecedoras, 5% dos lares brasileiros já fazem uso regular dos medicamentos, enquanto 26% pretendem usar as canetas quando tiverem uma condição melhor de renda. O aumento no uso desses medicamentos, apesar de ser visto como uma concorrência pela renda dos brasileiros, também é encarado pelo setor como uma oportunidade para as categorias voltadas à saúde.
Além disso, segundo Tremarolli, os medicamentos tendem a fazer com que os consumidores invistam menos em outros remédios, como medicamentos para pressão alta, fazendo com que essa renda volte para o varejo.
Dados do setor
O setor ampliou sua participação no mercado mercearil nacional, passando de 53,7% em 2024 para 55,9% em 2025. No mesmo período, o mercado de bens de consumo de alto giro atingiu R$ 1,1 trilhão. O setor possui 1.181.640 pontos de venda atendidos, acima dos 1.162.264 registrados em 2024.
O atacado distribuidor responde por 40% das vendas dos grandes supermercados, 68% do pequeno e superpequeno varejo, 95% do varejo tradicional e 85% dos bares.
Em 2025, os modelos de atacado generalista com entrega e agente de serviços foram os que apresentaram maior crescimento, com altas de 8,3% e 9,2%, respectivamente. Apesar disso, o atacado generalista de autosserviço segue liderando a participação no faturamento total do setor, com 36,7%, seguido pelo distribuidor com entrega, que concentra 31,3%.
O atacado generalista com entrega ocupa a terceira posição, com 28,5%, enquanto o atacado de balcão representa 2,7%. Já o agente de serviços, embora com menor participação, apresentou crescimento proporcional relevante. Ao desconsiderar os dados do Atacadão, a leitura do canal indireto mostra uma liderança dos distribuidores com entrega, que concentram 44,5% do faturamento, seguidos pelo atacado generalista com entrega (35%), autosserviço (15,4%) e atacado de balcão (3,9%).
Além disso, 50% do faturamento do setor é dividido entre 13 empresas, sendo o Atacadão responsável por 30%, seguido pelo Grupo Martins, Atacadão Dia a Dia, Tambasa Atacadista e Comercial Zaffari.
Considerando todos os modelos de negócio, as lojas físicas lideram com 38% do faturamento, seguidas pelos representantes comerciais (27%) e pelos vendedores CLT (22%). O dado indica uma mudança em relação a 2024, quando os representantes lideravam as vendas.
De acordo com Domenico, a alta do segmento está ligada ao consumidor que busca diferentes canais em busca de produtos e serviços mais acessíveis, mas também à experiência desses consumidores em diferentes formatos.
Para 2026, a expectativa é de aumento no consumo devido a fatores como a Copa do Mundo e o El Niño no segundo semestre, que tende a elevar as temperaturas e fazer com que as pessoas consumam mais fora de casa.
Escala 6x1
O setor enxerga a mudança da escala de trabalho e a redução da jornada com bastante cautela. De acordo com Leonardo Severini, presidente da Abad, a redução da escala e da jornada de trabalho pode gerar um aumento de 10% a 20% no preço final ao consumidor, devido aos custos operacionais.
“Se essa imposição da escala for sobreposta à redução da jornada de trabalho, o aumento real chega a 20%. Agora, se ocorrer apenas a redução da jornada, o aumento é de 10%. O setor empresarial não tem sido ouvido nessa discussão, e é um setor que carece de produtividade”, diz.
De acordo com o presidente, hoje o setor já enfrenta dificuldade para contratar mão de obra, e, com a redução da jornada de trabalho, essa dificuldade tende a aumentar. Além disso, a baixa produtividade é algo que preocupa o setor.
“O setor defende que é possível reduzir a escala sem alterar a jornada de trabalho por imposição. Nós não somos contra o fim da escala. Temos uma proposta para incluir no projeto de lei a possibilidade de negociação da hora livre", diz.
IMAGEM: divulgação
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No Sliders, restaurante especializado em hambúrguer de propriedade de Pedro Facchini, há uma equipe de 15 funcionários divididos em duas unidades, que funcionam de segunda à sexta, das 11h às 23h, e aos sábados, das 12h às 23h.
A operação mais complexa necessita de oito profissionais distribuídos em dois turnos. No primeiro, das 9h às 16h, trabalham uma atendente, responsável pelo balcão, dois cozinheiros e um gerente (em cargo de confiança, sem horário fixo de entrada). Como os pedidos são feitos diretamente no balcão, em modelo semelhante ao fast food, o restaurante não conta com garçom. No segundo turno, que começa às 16h e segue até às 23h, há um atendente no balcão e três cozinheiros.
Nos finais de semana, a escala é alternada entre os funcionários: alguns entram às 11h, outros às 12h, e assim por diante, garantindo equipe até às 23h.
Nos dias de folga do funcionário responsável pelo atendimento no balcão, um dos profissionais da cozinha assume a função, deixando a equipe desfalcada. As folgas dos funcionários são programadas para os dias de menor movimento, ou seja, segunda, terça e quarta-feira, e os funcionários têm direito a um domingo de descanso a cada dois ou três trabalhados, conforme a convenção coletiva.
LEIA TAMBÉM: Jornada intermitente avança em bares e restaurantes como alternativa à escala 6x1
Segundo Facchini, a eventual redução da jornada de trabalho pode acarretar um aumento de até 25% em sua folha de pagamento. “Eu teria que contratar dois funcionários, um por turno. Mesmo que eu contratasse apenas um, o faturamento do negócio não acompanharia esse gasto extra. Então, provavelmente, seria necessário aumentar o preço dos produtos”, afirma o empresário.
“Caso o fim da 6X1 seja aprovado, é possível que eu tenha que fechar o estabelecimento um dia da semana para dar folga extra aos funcionários. É ruim, porque o aluguel e as outras contas continuam sendo cobrados, mas será menos prejudicial do que contratar outro funcionário”, diz Facchini.
A folha de pagamento absorve cerca de 30% do faturamento do Sliders. Caso seja necessário contratar mais um funcionário ou fechar em um dia da semana, Facchini diz que seu cardápio pode ser reajustado em 6%. “No curto prazo, esse custo sai do empresário, mas, no longo, acaba chegando ao consumidor. Quem discute essa medida (fim da 6x1) nunca precisou pagar salário sem ter lucro”, afirma.
Nem sempre o cliente compreende o reajuste nos preços e tende a buscar alternativas mais baratas. “Nos restaurantes maiores, esse repasse costuma ser menos percebido, porque o tíquete médio é mais alto. Já os pequenos e médios sofrem mais”, explica o empresário.
Falta de mão de obra - Além disso, a dificuldade de encontrar profissionais dispostos a trabalhar em restaurantes com registro em carteira é mais uma preocupação caso a redução da jornada realmente ocorra. Segundo o proprietário do Sliders, muitos profissionais não querem ser registrados, preferem ganhos rápidos por meio do trabalho autônomo ou evitam trabalhar aos finais de semana. A rotatividade é alta no setor.
“Tenho o restaurante há oito anos, mas apenas dois funcionários estão comigo há cinco; a maioria não chega a completar dois períodos de férias”, diz.
De acordo com Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, associação que representa os proprietários de bares e restaurantes, em seu setor há mais de 500 mil vagas abertas atualmente.
Com o possível fim da escala 6x1, Solmucci diz que a falta de mão de obra vai se agravar, com restaurantes grandes absorvendo os profissionais disponíveis e também atraindo funcionários de estabelecimentos pequenos ao oferecer maiores salários. “Esse profissional vai deixar de trabalhar perto de casa e vai gastar mais tempo no ônibus. E, na região do pequeno restaurante, um serviço vai deixar de ser prestado”, diz.
Reféns da incerteza
O restaurante BBQ XP Barbecue Experience possui uma funcionária na escala 6x1, responsável por cuidar da cozinha e, em momentos de grande movimento, também auxilia no salão. A funcionária trabalha das 17h até às 22h30, de terça à quinta-feira, das 12h às 22h30, às sextas e sábados, e aos domingos, das 12h às 17h, tendo uma folga por semana na segunda-feira e em um domingo a cada 15 dias.
Renata Dimand, proprietária do estabelecimento, explica que, durante a semana, na parte da tarde, ela e o marido cuidam da cozinha, do atendimento ao cliente e das questões administrativas, enquanto no período noturno a funcionária é responsável pela cozinha.
Nos finais de semana, Renata contrata funcionários autônomos para atendimento no salão para dar conta do aumento da demanda, enquanto a empresária ajuda na cozinha. “É cada vez mais difícil encontrar funcionários para trabalhar nesta área, principalmente sábado e domingo, mas costumamos achar por indicação”, diz.
Preocupada com o decorrer da discussão sobre o fim da escala 6x1, Renata diz que, caso a proposta seja aprovada, será preciso analisar se compensa contratar mais um funcionário para os dias da semana, ou convocar profissionais autônomos. “O problema do extra é que nem sempre sabemos se ele realmente irá aparecer, ficamos reféns dessa incerteza. E se contratarmos um funcionário a mais, não temos garantias de que a demanda irá pagar o salário dele”, diz.
Caso haja a redução da jornada, Renata estima um aumento de 15% no custo com a folha de salários. “Os restaurantes terão que começar a avaliar se vale a pena manter um funcionário com salário muito acima do piso, ou dois funcionários pagando o piso”, diz.
Aumento no cardápio
De acordo com Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, associação que representa os proprietários de bares e restaurantes, caso ocorra a redução da escala para 5x2, isso pode acarretar um aumento no custo da mão de obra de 20%.
“Imagine uma cozinheira que trabalha na escala 6x1 e recebe R$ 1.000. Caso ela passe a trabalhar cinco dias, sem redução salarial, ela irá ganhar R$ 200 por dia. No entanto, como o consumidor demanda que o restaurante funcione todos os dias, este empresário precisará contratar mais um funcionário, mais R$ 200”, explica.
Sobre a redução da jornada de trabalho, de 44 horas semanais para 40 horas, o aumento estimado na folha é de cerca de 22%. Para lidar com esse custo extra, o preço do cardápio pode aumentar de 7% a 8%, segundo Solmucci.
Para o presidente da Abrasel, as pequenas empresas, especialmente nas regiões mais vulneráveis, devem ser as mais afetadas, uma vez que o consumidor dessas regiões não absorve o aumento do preço, causando a precarização local dos serviços.
Para Solmucci, a redução da escala é um “oportunismo eleitoral e irresponsável” por não considerar os efeitos da medida na economia. “O governo, lamentavelmente, fala de um potencial benefício que não é verdadeiro. A população precisa entender os reais custos”, diz.
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Pastore: "Fim da 6x1 seria camisa de força para a economia brasileira"
IMAGEM: Freepik
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