[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Depois de vender 54 lojas da bandeira Bretas em Minas Gerais em 2025, a chilena Cencosud dá sequência à sua nova fase no país, com foco maior em otimização e eficiência. A empresa converteu parte de suas unidades, fechou operações consideradas menos rentáveis e, com isso, no quarto trimestre do ano passado registrou queda de 17,7% na receita proveniente do Brasil.
Em fevereiro do ano passado, a multinacional anunciou a venda de dois terços da rede Bretas (restaram 25 unidades) aos Supermercados BH por R$ 716 milhões, além de oito postos de combustível e um centro de distribuição em Minas. “Lojas espalhadas por regiões distantes, com custos logísticos elevados e baixo desempenho. Então resolvemos fechá-las”, disse o CFO global, Andres Neely.
Para a diretora de Relações com Investidores do grupo, Irina Axenova, o desempenho marca um novo momento da companhia no país, com crescimento mais equilibrado e assertivo. “Acreditamos que nossa estratégia de turnaround no Brasil está entregando resultados”, afirmou em teleconferência com analistas.
Além do encerramento de unidades da bandeira Bretas, a companhia converteu 19 lojas do modelo cash and carry (modelo de autosserviço) para o formato tradicional de supermercado e realizou ajustes em operações consideradas não estratégicas, incluindo farmácias. Atualmente, soma 274 unidades em operação no Brasil.
BRASIL – Segundo Neely, o foco passou a ser a melhoria da execução comercial e da proposta de valor nas lojas remanescentes, com disciplina de custos e revisão de sortimento. A operação brasileira representa aproximadamente 9% do faturamento da Cencosud, que encerrou 2025 em US$ 17,7 bilhões, alta de 5,2% sobre 2024.
Embora tenha peso menor que mercados como Chile e Argentina, o Brasil segue como uma das apostas na região, sobretudo diante do tamanho do varejo alimentar, que movimenta cerca de R$ 1 trilhão por ano, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
O faturamento do grupo no último trimestre de 2025 foi positivo em cinco dos seis países em que a Cencosud opera. Entre outubro e dezembro, o lucro líquido alcançou CLP 159,9 bilhões (pesos chilenos), o equivalente a R$ 833,2 milhões, com alta de 148,3% frente ao mesmo período de 2024.
O Ebitda, contudo, pressionado pela desvalorização das moedas locais frente ao peso, recuou 6,5% na comparação anual, totalizando CLP 454,1 bilhões (US$ 486 milhões ou R$ 2,5 bilhões). “Excluindo efeitos cambiais, a rentabilidade dos supermercados aumentou significativamente no ano passado”, afirmou Neely.
CONSÓRCIO – No Brasil, a companhia chegou em 2007, ao comprar a rede GBarbosa. Hoje, são sete bandeiras (GBarbosa, Bretas, Giga Atacado, Mercantil Atacado, Perini, Prezunic e Spid), além dos negócios de serviços financeiros e retail media, a CencoMedia. Com mais de 300 unidades e cerca de 20 mil colaboradores, o grupo está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo. Entre as marcas, a Prezunic é responsável pela maior fatia (32%) do faturamento.
Na estratégia de ganho de rentabilidade por SKU, a empresa está ampliando a sua linha de marcas próprias, cuja participação nas vendas, no Cencosud Brasil, subiu de 4,8% no quarto trimestre de 2024 para 5,4% no mesmo período de 2025. Globalmente, essa fatia é de cerca de 20%.
A estratégia de desinvestimento, com a venda das lojas Bretas no início de 2025, não ocorreu somente no país. Na Argentina, a inflação elevada inviabilizou algumas operações, e a decisão do grupo foi encerrar unidades. Nos Estados Unidos também, a companhia fechou duas lojas com desempenho inconsistente. “E isso é dinâmico, então continuaremos sempre buscando o melhor desempenho”, afirmou Neely
Por outro lado, a expansão continua. Foram 20 aberturas de lojas em 2025, sendo sete nos Estados Unidos, quatro no Chile, três na Argentina, duas na Colômbia, duas no Peru e duas no Brasil. No país, as inaugurações ocorreram nas redes Giga Atacado, em São Paulo (junho) e Prezunic, no Rio de Janeiro (dezembro).
O PLANO ATUAL – No plano global para 2026, a Cencosud – rede fundada em 1963 no sul do Chile pelo chileno de origem alemã Horst Paulmann Kemna (135-2025) – projeta investir cerca de US$ 600 milhões (R$ 3,1 bilhões), com foco em expansão seletiva e ganho de eficiência operacional. Entre 35% e 40% do montante serão destinados à abertura de novas lojas e de 30% a 35% irão para shopping centers e projetos imobiliários.
A empresa não detalhou quanto será direcionado para o Brasil, mas, segundo o CEO, Rodrigo Larraín, todos os mercados onde atua devem crescer acima da inflação em moeda local neste ano. “Seguiremos focados em executar nossa estratégia com disciplina.” A companhia encerrou 2025 com alavancagem de 3,2 vezes dívida líquida/Ebitda e cerca de US$ 960 milhões em caixa, mantendo espaço para executar o plano de investimentos.
Para este ano, projeta um crescimento de 3% na receita consolidada e alta de 13,6% no Ebitda ajustado. Em termos de vendas, a operação global atua em duas frentes para atingir esse objetivo. A primeira é o comércio eletrônico, que cresceu 8% no quarto trimestre de 2025. A segunda aposta é na expansão dos SKUs de marca própria em toda a operação – no quarto trimestre, a presença desses produtos nas prateleiras das redes de supermercados Cencosud estava em nível recorde, com 18,9% do total de ofertas.