[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A confiança do empresário do comércio atingiu em fevereiro o maior nível desde julho de 2025, mas o “sentimento predominante” ainda é de cautela, aponta pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a entidade, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) chegou a 104,7 pontos, com avanço mensal de 1,6% – o indicador vai de 0 a 200 pontos –, sem variação anual. Foi a quarta alta seguida. “O movimento é sustentado pela melhora na percepção das condições atuais e por uma retomada nas intenções de investimento”, afirmou a CNC. Entre os componentes da pesquisa, a maioria se mantém no campo pessimista.
Um exemplo está no subindicador de Condições Atuais da Economia, destacado pela CNC, que cresceu 5,1% em relação a janeiro e 2% ante fevereiro de 2025. Mas está em 59,9 pontos. Segundo a entidade, apesar do ambiente de cautela, “a proporção de empresários que percebem uma piora no cenário econômico (70,6%) atingiu o menor nível desde janeiro do ano anterior”. Foi o quarto mês consecutivo de redução nesse item.
Outro destaque é o Índice de Investimento (IIEC), com alta mensal de 1,8% e anual de 1,1%, para 104,1 pontos – o que se reflete em melhoria no item sobre intenção de contratações (122,8 pontos). É um possível reflexo da expectativa de cortes dos juros, “com os varejistas aguardando o melhor momento para essa tomada de decisão”.
JUROS – De acordo com a economista da CNC Catarina Carneiro, o cenário mais positivo em relação aos juros “estimula a tomada de decisão para novos aportes, o que leva a uma maior estimativa de contratação”. Dois fatores que têm impacto nos preços e, consequentemente, no consumo. “Supermercados e farmácias registraram aumento de 3% na percepção atual nos últimos 12 meses, evidenciando um nível de preços mais controlado.” O segmento atingiu 102 pontos. Além de supermercados, o segmento de bens duráveis (109,3) – que inclui produtos eletrônicos, móveis e veículos – cresceu 1,8% no mês, com mais famílias dispostas a consumir esses itens. Mas a CNC lembra, na pesquisa, que essa atividade ainda se ressente do aumento recente dos juros – e mantém retração anual de 1%, a menor taxa em 13 meses.
Em relação ao curto prazo, “a maioria dos empresários (62%) mantém expectativas positivas de melhora econômica”. Em janeiro, esse indicador estava em 64%. O Índice de Expectativas (Ieec) avança 1% de janeiro para fevereiro, para 133,4 pontos. Mas cai 0,9% na comparação anual. Isso indica, segundo a entidade, que “a recuperação ganha corpo de forma mais acelerada no momento presente do que nas projeções de longo prazo”.
Ao comentar a pesquisa, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, fez referência a propostas de revisão da Reforma Trabalhista implementada em 2017. Segundo ele, para “consolidar e ampliar” resultados projetados para este ano, “o Brasil precisa, antes de tudo, assegurar um ambiente de negócios estável, previsível e juridicamente seguro”. Isso exige, disse, “maturidade no debate sobre produtividade e competitividade”. O dirigente afirmou que temas “sensíveis”, como jornada de trabalho, sejam discutidos pela via da negociação coletiva, com segurança jurídica e diálogo. “Respeitando a prevalência do negociado sobre o legislado, conforme estabeleceu a reforma”.